Sunday, November 07, 2004

Aviso

Venho por este meio avisar que voltei ao meu blog antigo WWW.UNKNOWNPOETS.BLOGS.SAPO.PT e deixarei de postar neste mas continuará activo, caso o Sapo se passe outra vez das ideias.

Para sempre,

Gabriel Braga

Monday, October 25, 2004

Férias



Férias! Preciso urgentemente de Férias!

Saturday, October 23, 2004

Collateral


Ainda bem que há filmes assim.
Ainda noutro dia tinha ido ver “A Vila” e fiquei abismado com a imensidão daquele filme (também vindo de Shyamalan só podia ser uma obra assim). Faltava terror? Mais ainda que aquele que estava encarcerado nas personagens? No seu interior? Nos seus olhos? O saber que estavam cativos numa pequena aldeia? O saber que há algo maior à sua volta e não poder desvenda-lo? O facto de serem enganados durante toda a vida? Acho que só isso dá para “matar alguém de susto”.
Mas não é d’ ”A Vila” que quero falar, mas sim de “Collateral”, que merece mesmo ser falado… Bem falado. O novo filme de Michael Mann, com Tom Cruise (Vincent), que pela primeira vez o vejo como o Mau da fita. E penso, finalmente há outro filme em que gosto da personagem interpretada por Tom Cruise, pois raros são os filmes em que consigo achar piada ao homenzito, como o “Magnólia” ou o “Vanilla Sky” em que sejam talvez os filmes que façam dele uma personagem muito boa.
Neste entra também Jamie Foxx, (Max), um actor cómico, que entra aqui como um homem triste que trabalha como taxista para perseguir um sonho. Totalmente o contrário daquilo que Jamie está habituado a fazer (comédia).
E para finalizar entra Jada Pinkett Smith (Annie), uma advogada de sucesso que dá uma ajudinha para a “hybris” de Max.
É um filme que faz uma pessoa ficar imóvel na cadeira, colado ao enorme ecrã, envolto numa banda sonora realmente boa e em diálogos inteligentes e sentidos. Daqueles que uma pessoa fica horas e horas a recorda-lo depois dele ter acabado. É um daqueles que dá atenção aos pormenores… Que se pode dizer mais? É Bom!
E pensar que seria uma noite como tantas outras…


Gabriel Braga

Thursday, October 21, 2004

O quarto da avó


Abriu a porta do quarto como já não fazia há anos.
Não entrava ali fazia tanto tempo. Já nem se lembrava das cores das paredes, dos quadros, nem do cobertor da cama.
Com a mínima luz que vinha da porta, e sentindo o forte cheiro a velho, foi tentando encontrar a janela para receber alguma luz.
E a luz foi invadindo de novo aquele cubículo que por tantos anos fora o quarto da sua avó.
Ao mesmo tempo que a luz ia correndo toda a sombra do quarto, Ele ia-se lembrando de tudo o que fizera naquela casa, quando vinha da escola e passava ali a tarde, fazendo companhia a avó que morava sozinha.
"Não percebo porque nunca quis vir morar connosco! Sempre sozinha nesta casa a cair aos bocados."
Lembrava-se quando ficava no quarto a fazer os deveres, ou quando dormia a sesta da tarde. Quando brincava com os carrinhos de madeira que um dia tinham sido do seu avô quando também ele era uma criança, ou quando roubava as bonecas de trapos do tempo de infância da sua avó.
Lembrou-se de estar sentado no colo da avó e ouvir as historias, sempre religiosas, sempre lições, que a avó contava e recontava e ele ouvia sempre.
Quando viu os quadros, os crucifixos, os terços presos nas paredes, agora rosas húmidas, quase sem cor, deslavadas, agora com rachas enormes devido à velhice, com imensas teias de aranha nos cantos.
Olhou para a cama, via-se a quantidade enorme de pó em cima do cobertor carcomido das traças, com as figuras quase indistinguíveis e já sem cor.
"Já passou tanto tempo que morreu. Não tem sentido continuar tudo aqui, apodrecer ainda mais. Que farei com tudo isto?" perguntava-se sabendo que não iria ter resposta.
De repente sentiu uma mão agarrar-lhe a perna "Pai! É o quarto da avó? É tão bonito. Posso ficar com este quarto quando nos mudarmos para cá?"

Gabriel Braga

Wednesday, October 20, 2004

Nuvem de Açúcar


Nuvem de Açúcar


Finalmente! Há tanto que ansiava! Há tanto que esperava! E agora ela voltou.
Vou finalmente voltar a ler aqueles textinhos doces que tanto me apaixonam.
vou finalmente voltar a ver aquelas imagens lindas que sempre me fascinam.
vou finalmente poder provar todos os doces que desejei desde sempre.
Ainda bem que voltaste!

Gabriel Braga

Monday, October 18, 2004

Só mais um esforço...


- Vá! Segue-me. Não vês que estamos quase a chegar.
- Estou cansado… Não podemos parar?
- Não. Vá lá… Só mais um esforço. Falta mesmo pouco para tocarmos no arco-íris, não vais desistir agora!

Gabriel Braga

Sunday, October 17, 2004

Todos os dias: Quarta-feira de Cinzas

Aconteceu isto. Foi na quarta-feira de cinzas. De véspera, escolhi a quarta-feira de cinzas e, antes da hora a que o despertador toca todos os dias, sem perturbar o secreto silêncio da madrugada, deslizei da cama e, com um prego enferrujado que estava na dispensa, bati quatro vezes nas lâminas da gillete, levantei-lhes quatro farpas. Ele espalhou o creme com pinceladas precisas e, à pressa, da patilha para o centro da face fez deslizar a gillete. As lascas da lâmina abriram-lhe quatro veios de sangue na cara e gritou alto e o vermelho misturou-se no branco e, incrédulo, a gaguejar, disse mamamaluca de um raio, aterrorizado com o sangue nas mãos e quente no pescoço, gritou Cristina, cabra, louca, nunca devia ter casado contigo. E chamou-me muitas vezes maluca maluca maluca de merda, deste-me um filho maluco como tu, anormal como tu. Louca. No escuro do armário, as minhas gargalhadas polvilhadas, miúdas, pontilhadas nas camisas vincadas e passadas a ferro. E ele lavou a cara para tirar o sabão e estancou o sangue com papel higiénico e disse maluca. Ao bater a porta, acordou o Ruben. Saí do armário e a andar e a correr, peguei no meu filho, beijei-o devagar. O sol desceu um pouco na manhã. Senti o seu peito acalmar-se, senti o toque inocente do seu olhar. E, com o seu corpo pequeno ao colo, as suas mãos, o seu rosto, sentei-me no sofá e, na luz suave que a janela deixava entrar, abracei-o mais e pensei em nós.

José Luís Peixoto